Histórico dos Últimos 7 Dias
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O que é o Peso Argentino?
O Peso Argentino ($, ARS) é a moeda oficial da Argentina desde 1992, quando substituiu o austral durante o Plano de Convertibilidade. O peso argentino tem uma história turbulenta, marcada por sucessivas crises econômicas, hiperinflação e desvalorizações. Apesar de sua instabilidade histórica, o peso continua sendo fundamental para a economia argentina, a terceira maior da América Latina.
- Código ISO: ARS (Argentine Peso)
- Símbolo: $ (compartilhado com outras moedas latino-americanas)
- Subdivisão: 1 peso = 100 centavos
- Banco Central: Banco Central de la República Argentina (BCRA)
- Moedas em circulação: 5, 10 centavos; $1, $2, $5 e $10
- Notas em circulação: $10, $20, $50, $100, $200, $500, $1.000, $2.000 e $10.000
- Particularidade: Existência de mercado paralelo ("dólar blue")
História do Peso Argentino
- 1881-1969: Primeiro peso argentino (peso moneda nacional)
- 1970: Substituído pelo peso ley (1 peso ley = 100 pesos moneda nacional)
- 1983: Criação do peso argentino (1 peso = 10.000 pesos ley)
- 1985: Introdução do austral (1 austral = 1.000 pesos argentinos)
- 1989-1991: Hiperinflação massiva, inflação anual de até 3.000%
- 1992: Retorno do peso (1 peso = 10.000 australes) com Plano de Convertibilidade
- 1992-2001: Peso atrelado ao dólar na paridade 1:1
- 2001-2002: Crise do "Corralito", fim da conversibilidade
- 2002-presente: Peso flutuante, com controles cambiais intermitentes
Inflação na Argentina
A Argentina é mundialmente conhecida por seus problemas crônicos com inflação, um fenômeno que afeta profundamente o valor do peso:
- Hiperinflação histórica: Entre 1989-1990, a inflação chegou a 3.000% ao ano
- Inflação persistente: Desde 2002, Argentina tem inflação anual consistentemente alta
- Anos 2010s: Inflação entre 20-50% ao ano, corroendo poder de compra
- 2020-2023: Aceleração inflacionária, chegando a mais de 100% ao ano
- Desvalorização: Peso perdeu mais de 90% de seu valor em relação ao dólar desde 2015
- Impacto social: Inflação elevada aumenta pobreza e reduz salários reais
Múltiplos fatores contribuem: déficit fiscal crônico, emissão monetária para financiar gastos, falta de credibilidade institucional, desconfiança na moeda, indexação de preços, e sucessivos choques externos. O país entrou em ciclo vicioso onde expectativas de inflação alta se auto-realizam.
Dólar Blue
Mercado paralelo de dólares na Argentina, com taxa de câmbio diferente da oficial, refletindo a desconfiança no peso e controles cambiais.
Controles Cambiais
Argentina frequentemente impõe restrições à compra de moeda estrangeira ("cepo cambiário") para preservar reservas internacionais.
Desvalorização Acelerada
O peso perde valor constantemente contra moedas fortes, levando argentinos a poupar em dólares ou outras moedas estáveis.
Economia Argentina
A Argentina é a terceira maior economia da América Latina, com recursos naturais abundantes, mas enfrenta desafios estruturais que limitam seu crescimento:
- Agronegócio: Grande exportador de soja, trigo, milho, carne bovina
- Recursos naturais: Petróleo, gás natural (Vaca Muerta - 2ª maior reserva de shale gas)
- Indústria: Automotiva, alimentos processados, química, metalurgia
- Tecnologia: Setor de software e serviços de TI em crescimento
- Turismo: Destinos como Patagônia, Iguaçu, Mendoza atraem milhões
- Mineração: Lítio (essencial para baterias), ouro, prata, cobre
Fatores que Influenciam o Peso
Inflação alta corrói valor do peso constantemente
Gastos superiores à receita pressionam emissão monetária
Baixas reservas limitam capacidade de defender o peso
Instabilidade política afeta expectativas sobre a moeda
Soja, trigo e carne são grandes exportações argentinas
Renegociações de dívida afetam percepção de solvência
Banco Central Argentino (BCRA)
O Banco Central de la República Argentina (BCRA), fundado em 1935, enfrenta um dos maiores desafios entre bancos centrais: controlar inflação crônica enquanto mantém estabilidade financeira:
- Independência limitada: Historicamente sofre pressões políticas para financiar déficit
- Emissão monetária: Frequentemente usado para financiar gastos do governo
- Controles cambiais: Implementa restrições à compra de dólares
- Taxas de juros: Mantém taxas muito altas para tentar conter inflação
- Reservas: Gestão complexa de reservas internacionais escassas
- Múltiplas taxas de câmbio: Diferentes cotações para diferentes propósitos
Crises Econômicas Argentinas
A Argentina tem histórico de crises econômicas recorrentes que impactaram severamente o peso:
- Crise de 1989-1991: Hiperinflação devastadora, saques e caos social
- Crise de 2001-2002: "Corralito" (congelamento de depósitos), default de dívida, fim da convertibilidade
- Crise de 2018-2019: Corrida cambial, peso perde 50% do valor, acordo com FMI
- Crise de 2020: Pandemia agrava situação já frágil, reestruturação de dívida
- Consequências: Pobreza elevada, fuga de capitais, dolarização informal
Em dezembro de 2001, o governo argentino congelou depósitos bancários, impedindo saques acima de limites mínimos. Isso causou protestos generalizados ("que se vayan todos"), renúncia do presidente, e cinco presidentes em duas semanas. O peso desvalorizou 75% após fim da paridade com o dólar.
Relação Argentina-Brasil
Argentina e Brasil têm relação econômica profunda como principais sócios do Mercosul:
- Mercosul: Bloco econômico criado em 1991, facilitando comércio
- Comércio bilateral: Brasil é o principal destino de exportações argentinas
- Indústria automotiva: Integração produtiva entre os dois países
- Turismo: Milhões de argentinos visitam Brasil e vice-versa anualmente
- Energia: Argentina exporta gás natural para o Brasil
- Impactos cambiais: Desvalorização do peso encarece viagens a Buenos Aires
Dolarização da Economia
Devido à desconfiança crônica no peso, a economia argentina é altamente dolarizada informalmente:
- Poupança em dólares: Argentinos preferem guardar dólares "debaixo do colchão"
- Imóveis em dólares: Preços de imóveis cotados em USD, não em pesos
- Mercado paralelo: "Dólar blue" com cotação acima da oficial
- Fuga de capitais: Argentinos transferem dinheiro para o exterior
- Debate político: Propostas de dolarização total da economia ganham força
- Controles cambiais: Governo limita compra de dólares para preservar reservas
Curiosidades sobre o Peso Argentino
- Notas de alto valor: Nota de $10.000 foi introduzida devido à inflação alta
- Cinco moedas diferentes: Argentina teve cinco moedas diferentes desde 1970
- Personalidades nas notas: Eva Perón, Malvinas, animais nativos são temas
- "Lecop": Durante crise de 2001, províncias emitiram moedas paralelas
- Inflação em perspectiva: $1 de 1992 equivale a milhares de pesos atuais
- Desvalorização recordista: Peso está entre as moedas que mais se desvalorizaram globalmente
- Múltiplas taxas: Argentina chegou a ter mais de 10 taxas de câmbio oficiais diferentes
Perspectivas para o Peso
O futuro do peso argentino depende de reformas estruturais e estabilização macroeconômica:
- Controle da inflação: Essencial para restaurar confiança no peso
- Equilíbrio fiscal: Reduzir déficit para diminuir emissão monetária
- Reformas estruturais: Modernização da economia e aumento de produtividade
- Dolarização: Debate sobre abandonar o peso e adotar o dólar oficialmente
- Potencial: Argentina tem recursos para prosperidade, mas precisa de estabilidade
- Confiança institucional: Recuperar credibilidade é fundamental
Investir em pesos argentinos é extremamente arriscado devido à inflação crônica e desvalorizações frequentes. Apenas investidores muito experientes em mercados emergentes de alto risco devem considerar, e somente para especulação de curtíssimo prazo. A maioria dos argentinos evita manter poupanças em pesos.
O Peso Argentino representa uma das histórias monetárias mais turbulentas do mundo moderno. Apesar dos desafios crônicos com inflação e crises recorrentes, a Argentina possui imenso potencial econômico. A estabilização do peso depende de reformas profundas, disciplina fiscal e recuperação da confiança institucional. Para brasileiros, entender a dinâmica do peso é fundamental devido à profunda integração econômica entre os países vizinhos.